Abriram meus olhos.
Nada é mágica, apenas truque.
Seria truque tudo o que sentimos então?
Desconfianças de infinitas mentiras verdadeiras.
Passam-se como verdades enfeitadas de pó.
Enfeito o palco que montaram para mim.
Vivo, mesmo o cenário sendo precário e a plateia escassa.
Amo, mesmo sem ser em troca ou sem saber o quanto.
Sinto, mesmo imaginando sentir ou sentindo demais.
Sorrir quando não se tem mais a esperança de um sorriso.
Ou a espera de um perpuxar de ponta-lábios.
É porque detrás desse meu sorriso torto, mora meu sorriso sábio.
Aquele que saltita de alegria.
Aquele que adora sorrir.
Então, é neste palco no qual vou me apresentar.
E que ao final do espetáculo, não existam palmas.
Quero um sorriso, um jardim, uma nuvem, um sim.
Uma flor, um anjo, um amor.
Uma estrela.
Feche os olhos e imagine.
Liala Leão
sábado, 15 de janeiro de 2011
sábado, 23 de outubro de 2010
fazer alguém feliz faz bem.
De repente, não mais que de repente, já dizia o poeta.
Entra, fala, e não se cala.
Não é a mesma pessoa, mas fala.
Abala.
Simpática, meiga, sincera.
Sofredora, viva.
Infeliz, precisa de amigos.
Estou aqui para ajudá-la.
Quer segurar minha mão, estranha?
Não tenha medo, a vida é assim,
e que Deus lhe dê em dobro tudo o que você me desejar.
O bem faz bem.
Então sorria, para reter o sorriso de alguém que não se pode ver.
Entra, fala, e não se cala.
Não é a mesma pessoa, mas fala.
Abala.
Simpática, meiga, sincera.
Sofredora, viva.
Infeliz, precisa de amigos.
Estou aqui para ajudá-la.
Quer segurar minha mão, estranha?
Não tenha medo, a vida é assim,
e que Deus lhe dê em dobro tudo o que você me desejar.
O bem faz bem.
Então sorria, para reter o sorriso de alguém que não se pode ver.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
eu-lírico eu
Ouvi broncas e reclamações da vida.
Na verdade, a vida era um belo codinome para professor.
E ele me dizia: não é o poeta, é o eu-lírico.
Mas aí eu penso, paro e escrevo.
Vejo, escrevo, leio e sinto.
Quem sente sou eu!
Quem fala é o eu-lírico?
Pensemos com o silogismo aristotélico:
a poetiza escreve o que sente,
o eu-lírico mostra o que sente.
Logo, eu sou meu eu-lírico.
Fantasias à parte,
mas a vivência me leva ao surrealismo.
Palavras verdadeiras é meu mínimo de verdade,
meu sinal sincero,
minha primeira pessoa do singular,
m'eu'-lírico.
Eu.
Na verdade, a vida era um belo codinome para professor.
E ele me dizia: não é o poeta, é o eu-lírico.
Mas aí eu penso, paro e escrevo.
Vejo, escrevo, leio e sinto.
Quem sente sou eu!
Quem fala é o eu-lírico?
Pensemos com o silogismo aristotélico:
a poetiza escreve o que sente,
o eu-lírico mostra o que sente.
Logo, eu sou meu eu-lírico.
Fantasias à parte,
mas a vivência me leva ao surrealismo.
Palavras verdadeiras é meu mínimo de verdade,
meu sinal sincero,
minha primeira pessoa do singular,
m'eu'-lírico.
Eu.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
ameixa.
Experimentei.
Experimentei de novo.
Primeira vez.
Primeira vez de novo.
Qual a sensação de se experimentar algo que não se conhece?
Hum, eu já provei o sabor de uma ameixa, a primeira que eu comi.
Tenra.
Doce.
Deliciosa.
Amável.
Ahh, perfeita a grosso modo virtual.
Qual a sensação de experimentar de novo a mesma fruta?
Estranha.
Nunca havia provado esse sabor diferente.
Semi-doce.
Casca azeda.
De um prazer pouco desenvolvido.
Embora continue dando prazer gustativo.
Com sorte, a primeira vez que eu experimentar a ameixa pela terceira vez, será inconfundível.
Porque terá o seu real sabor.
Com um toque de você.
E uma mistura selvagem de nós.
Experimentei de novo.
Primeira vez.
Primeira vez de novo.
Qual a sensação de se experimentar algo que não se conhece?
Hum, eu já provei o sabor de uma ameixa, a primeira que eu comi.
Tenra.
Doce.
Deliciosa.
Amável.
Ahh, perfeita a grosso modo virtual.
Qual a sensação de experimentar de novo a mesma fruta?
Estranha.
Nunca havia provado esse sabor diferente.
Semi-doce.
Casca azeda.
De um prazer pouco desenvolvido.
Embora continue dando prazer gustativo.
Com sorte, a primeira vez que eu experimentar a ameixa pela terceira vez, será inconfundível.
Porque terá o seu real sabor.
Com um toque de você.
E uma mistura selvagem de nós.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
passado e futuro não se misturam.
Aperto, aperta.
Esmaga o coração.
Que sentimento é esse que corrói a alma, mexe, revira e desalma?
Solidão.
O que fazer quando acorda, infinita sensação?
Desprende, revive e renova
eterna apegação.
Me larga, desapareça e amargue
Essa pobre insolução.
Passado não volta, amém!
Futuro não vem, ninguém!
É foda!
Essa mistura, droga, de amor com raiva, ódio e pavor.
Solta!
E mande para o inferno.
Esmaga o coração.
Que sentimento é esse que corrói a alma, mexe, revira e desalma?
Solidão.
O que fazer quando acorda, infinita sensação?
Desprende, revive e renova
eterna apegação.
Me larga, desapareça e amargue
Essa pobre insolução.
Passado não volta, amém!
Futuro não vem, ninguém!
É foda!
Essa mistura, droga, de amor com raiva, ódio e pavor.
Solta!
E mande para o inferno.
TEMPO-PASSA
Passa, tempo passa.
Ano novo, vida nova.
Ano velho, vida velha.
Ano novo, vida velha.
O que você fez para mudar sua vida de merda?
Fim do ano está aí, suas frases repetidas voltam.
Mas, se você repetir além das frases, a vida:
Desista!
Mude ou morra.
Ainda dá tempo de passar.
Ano novo, vida nova.
Ano velho, vida velha.
Ano novo, vida velha.
O que você fez para mudar sua vida de merda?
Fim do ano está aí, suas frases repetidas voltam.
Mas, se você repetir além das frases, a vida:
Desista!
Mude ou morra.
Ainda dá tempo de passar.
Espero que o fim chegue, para o início do começo.
Saudade:
Ímpar.
Para um par.
Distância:
Mar.
Para um par.
Paixão:
A mesma.
Para um par.
Desejo:
Recíproco.
Para um par.
Afeto:
Crescente.
Para um par.
A vida:
Única.
Para mim.
Apareça!
Ímpar.
Para um par.
Distância:
Mar.
Para um par.
Paixão:
A mesma.
Para um par.
Desejo:
Recíproco.
Para um par.
Afeto:
Crescente.
Para um par.
A vida:
Única.
Para mim.
Apareça!
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Quem não tem namorado
Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas: de carinho escondido na hora em que passa o filme: de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uam névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira: Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas: de carinho escondido na hora em que passa o filme: de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uam névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira: Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.
Carlos Drummond de Andrade [não falei nada, foi o poeta]
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
em boca fechada não entra... língua.
quem foi que disse que é a mosca?
fugindo do tema, diz.
A espera do teu beijo.
e da tua boca aberta.
Fala, senão, quem não fala sou eu.
não [me] esconde.
fugindo do tema, diz.
A espera do teu beijo.
e da tua boca aberta.
Fala, senão, quem não fala sou eu.
não [me] esconde.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
pensamentos negativos
se não fosse por Carlos, o que seria da garotinha infeliz?
A primeira paixão platônica, o irmão mais velho, o melhor amigo.
Meu melhor amigo!
Ela agradece pelas conversas, pelas calmas nas horas de tormento.
Ela fica infeliz ainda pelas coisas que escuta sobre aquilo amigo, então só você entende-a.
Sobre ela e ele, sobre nós.
Ela é forte, mas tem medo.
Não sei que palavra é, mas será que ela está certa até que ponto?
Até que ponto está enganada, e onde pode cair no precipício.
Amigo, uma hora terá de ser a escolha dela. Não sei o que ela faria, mas sabes que tem mágoas.
Ele traz mágoas... mas a faz feliz. Essas dúvidas se misturam com as negatividades dos outros.
Sinceramente, acho que ela é infeliz, por ouvir os outros. Feliz por ouvi-lo.
Um pé na frente, um outro sempre atrás.
A primeira paixão platônica, o irmão mais velho, o melhor amigo.
Meu melhor amigo!
Ela agradece pelas conversas, pelas calmas nas horas de tormento.
Ela fica infeliz ainda pelas coisas que escuta sobre aquilo amigo, então só você entende-a.
Sobre ela e ele, sobre nós.
Ela é forte, mas tem medo.
Não sei que palavra é, mas será que ela está certa até que ponto?
Até que ponto está enganada, e onde pode cair no precipício.
Amigo, uma hora terá de ser a escolha dela. Não sei o que ela faria, mas sabes que tem mágoas.
Ele traz mágoas... mas a faz feliz. Essas dúvidas se misturam com as negatividades dos outros.
Sinceramente, acho que ela é infeliz, por ouvir os outros. Feliz por ouvi-lo.
Um pé na frente, um outro sempre atrás.
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